O OUTRO LADO DA BARRICADA
De vez em quando é pedagógico ser júri do ICAM. Aceitar o desafio com a honesta esperança de "finalmente poder fazer justiça".
Num certo sentido, isso acontece. Se formos honestos e nos distanciarmos dos nossos gostos pessoais em favor de critérios objectivos e diria, algo pomposamente, do interesse nacional.
Mas também dá para perceber duas coisas. A primeira é que há mais boa vontade do que talento. Um cada vez maior número de pessoas quer trabalhar em cinema. O que não quer dizer que saiba escrever um argumento, realizar ou produzir um filme. Ou, na maior parte dos casos, que tenha tido sequer uma formação séria e competente nessa área. Mas sobre o ensino artístico haveria mais a dizer, nomeadamente sobre QUEM anda a ensinar o QUÊ e COMO....
A segunda, é que a coisa é bastante matemática. Cada membro do júri aprecia um projecto, segundo critérios claros e atribui uma votação de acordo com esses critérios. O resultado final, em geral, surpreende toda a gente. Mas esse é o problema da democracia: o mínimo denominador comum.
Se juntarmos a isto, a chusma de pessoas que se vão sentir injustiçadas, ou simplesmente feridas nos inchados egos, ficamos próximos do trabalho missionário-suicida.
Ao contrário do que parece. Contra mim falo.
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